3 de ago. de 2013

Nem sempre é só mais um dia



Acredito que a melhor maneira de despistar a solidão seja viver um dia de cada vez, lutar para esquecer o abismo do dia seguinte, da semana, do fim de semana, da rotina...



Claro, essa regra não se aplica ao percentual da população, que assim como eu, optou por ela. No nosso caso, o segredo é ignorar aqueles que se incomodam conosco (Por que a solidão alheia é tão invejada?), aquele roteiro de perguntas – Por que não sai, não aceita convites, não vem nas confraternizações, não namora, não dá noticias - Eu vejo em toda essas interrogações uma única pergunta “Por que não se interessa?” .
É, por quê? Sei lá, não sei mesmo, também sofro da vontade de calor humano, mas ela nunca  ( ou raramente) é forte o bastante pra me tirar da estagnação, e é só estagnação (Não é livro, nem estudo, nem filme, é nada).
É difícil explicar a sensação de desapego que alguns jamais experimentarão, também não sei explicar o porquê de existir pessoas que não tem Deus, vontade, fome, amor, saudade, humanidade...
E não deve se confundir solidão com infelicidade, por favor, que uma coisa não tem nada a ver a com a outra, acredito que seja ao contrário, solidão é estar feliz sozinho, ou descobrir que se está sozinho de qualquer forma. Acredito que nós, parcela solitária da população, só antecipamos a conformação do inevitável, que as eternas ‘companhias’ tentam esquecer.


03/08/2.013   Bruna A.

7 de out. de 2012

CORAÇÃO





Keila e eu fomos ver uma exposição sobre Regina Duarte, um dos principais destaques é um espetáculo, um monólogo, chamado CORAÇÃO BAZAR, não é um dos sucessos da sua carreira mas é bem intencionado, ela interpreta sete personagens sob várias facetas femininas. O espetáculo inclui ainda citações de Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Gullar, Leminski e dela mesma, entre outros. O principal objetivo é abrir o coração (Ou abrir-se de coração), fazer da maturidade um ato de reflexão, de doação, enfim a metamorfose (Não a de Kafka, porque provavelmente ele não o tinha). Mas o coração, pequeno e frágil órgão humano, que com o tempo não aguenta e sucumbe, em alguns momentos fraco e empidermido, mas sempre batendo por alguém, nunca egoísta, nunca completamente mau, parcialmente confiável, assim como escreveu Natsume Soseki em Kokoro*: "Agora, neste momento, estou para rasgar o meu próprio coração para banhar com meu sangue o seu rosto. Eu ficaria satisfeito se, no momento em que meus batimentos cessarem, você esteja gerando uma nova vida em seu coração".
Mas saindo do mundo literário, aquele órgão símbolo do amor e dos bons sentimentos é de fato um baú, mas ao oposto do cérebro é o bazar das coisas inúteis, das decepções, das ilusões, essa semana eu vou sair por ai cantando uma música bem chata que por pura conscidencia grudou em minha memória: "coração, coração larga de ser besta coração..."

*kokoro é coração em japonês


Bruna A. 07/10/2012




"Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero."

Alvaro do Campo, F. Pessoa in Passagem das horas

1 de mai. de 2012

GAROTOS II - O OUTRO LADO.

GAROTOS II É O TÍTULO DE UM ALBÚM DO LENINE, ME LEMBREI DESSE ALBÚM APÓS ESCUTAR UMA CONVERSA DE DUAS GAROTAS NO BANHEIRO DO SHOPPING QUE EU TRABALHO, UMA RECLAMANDO DE ALGUM GAROTO QUE FEZ ALGO TÃO "GRAVE" QUE ELA O CLASSIFICOU COMO "NÃO PRESTÁVEL", A OUTRA PARA CONSOLAR A AMIGA OU POR SER TÃO DESILUDIDA QUANTO; RESPONDEU : "A GENTE SÓ GOSTA DE QUEM NÃO PRESTA", MAS PERAÍ, DIZER QUE O VALOR DA PESSOA ESTÁ EM ELA NOS CORRESPONDER OU NÃO ? IGNORAR A HISTÓRIA, DRAMAS, CONFLITOS E OPINIÕES DO OUTRO ? E O MAIS IMPORTANTE, SE ALGUÉM GOSTA DA GENTE, E NÃO CORRESPONDEMOS TAMBÉM NÃO PRESTAMOS ?

A MAIORIA DAS PESSOAS NÃO PRESTA MESMO.

Bruna A. 01/05/2012

22 de mar. de 2012

Dialogando inconclusivamente

Por Daniel Oliveira e eu.

Eu: To ouvindo New religion no celular
Daniel: me lembra qualquer coisa tua ...
Eu: To com tédio de suicidio, ele me destrói.
Daniel: O filme (Max e Mary) é lindo. Nunca se entregue, hoje sonhei que morri...

Eu: chuva e falta de luz.
Daniel: kkkk, satanás, vamos deitar então.

Eu: ...(hiato)

Daniel: semana acabando, fique inteira, saudades já trem!
Eu: Saudade ²
Daniel: Querendo entristecer hoje, e não tem alcool, conto com você melhor baby.

Eu: Saudade bem meu, mudei de casa, com a chuva enlameou tudo, acabei de ver um cão ferido, mundo em leve desequilibrio...
Daniel: Mas e com você, tudo bem amoreco?
Eu: Nada, nada...começo a entender a frase “nos perderemos entre monstros”.
Daniel: Espero que os trem estejam bem e não se preocupe com o mundo, você é a peça mais importante.

Eu: nada bem, nada bem...

Daniel: Caguei meu pc. To a pé, merda, agora vou ter um tumor de tédio...
Eu: Caguei o meu também!
Daniel: Me fez rir, mesmo sendo desgracinha.
Eu: E hoje em dia, como é que se diz eu te amo ?
Daniel: Não se usa mais isso, só a gente.

Eu: Ando no mundo dos mortos.
Daniel: O segredo é a moderação, ter um dia sim e outro não...Temos um sócio no clube dos canalhas.
Eu:E qual o segredo para viver sem se matar?
Daniel: É só até que o diabo descubra que morremos e venha nos levar embora.
Eu: Queria lembrar o que me acalma.
Daniel: Mas não podemos ser piores que nossas dores, eventualmente vamos morrer, uma vida pode parecer demais mesmo as vezes, ontem amiga minha passou a noite chorando aqui, não posso me dar ao luxo de ficar triste sem ter alguém pra me salvar também, saudades Bruna, quase sufocam.
Eu: Continuo no mundo dos mortos...
Daniel: “Coisas que eu faço sabendo que posso morrer...”, só posso te oferecer meu amor.

Eu: T-E-N-S-O.
Daniel: Ás vezes você acorda e seu mundo é engolido durante a noite, ás vezes você se encontra sozinho, uma coisa é garantida, morreremos sozinhos.
(5 min depois)
Daniel: Nós não vamos morrer sozinhos, acredito que se um de nós se for, vai uma parte do outro também.
Eu: Me decidi, vou falar tudo com ele hoje ...
Daniel: Leve o coraçãozinho de muletas, mas espero que dê certinho e afaste (?)
Eu: vai ser agora... (mensagem não enviada)
(2h depois)
Eu: To triste bagarai, ele mandou eu esquecer, tirar isso da cabeça...
Daniel: amore, amore ...
Eu: triste, triste...
Daniel: Falei de casório com a Deise, ela disse ‘eu heim’, ótimo.
Eu: Acho que esse ‘eu heim’ passou na cabeça dele ontem, péssimo.
Daniel: Acabou a ilusão.



Bruna A.  22/03/2.012

15 de mar. de 2012

Aniversários

E Minha crônica que é quase uma carta:

Regina,
queria lhe dizer as palavras costumeiras, mas na verdade não gosto, não acredito em aniversários, acho essas datas até bem tristes, mas num desses dias tristes eu ganhei um presente, veja se se lembra:


Celebração da amizade

Nos subúrbios de Havana, chamam o amigo de minha terra ou meu sangue.
Em Caracas, o amigo é minha pada ou minha chave: pada, por causa de padaria, a fonte do bom pão para as fomes da alma; e chave, por causa de ...
- Chave, por causa de chave - me conta Mario Benedetti.
E me conta que quando morava em Buenos Aires, nos tempos do horror, ele usava cinco chaves alheias em seu chaveiro: cinco chaves, de cinco casas, de cinco amigos: as chaves que o salvaram.

Eduardo Galeano, pag 237



Sempre que leio esse livro lembro de você e ai parece que ganho ele sempre, sempre, sempre ... Enquanto eu o tiver será sempre recém ganhado, ta vendo porque eu não ligo para aniversários. Mas como tem lembrado de mim?

Li um conto de fadas onde um rapaz encontra um castelo na montanha, neste castelo vivia uma princesa solitária, ele a pede em casamento, mas ela só aceitará com uma condição, que ele se esconda em algum lugar do castelo que ela não encontre, ela lhe deu três chances: na primeira ele se escondeu no estábulo, foi encontrado, na segunda vez ele se escondeu no jardim, foi encontrado, vendo poucas oportunidades, se escondeu no único lugar que ela não poderia encontra-lo, no coração da princesa.


Acredito que isso seja amar, ainda que não pareça, estamos sempre perto de quem amamos, ainda que tristes, cansados, com raiva, preocupados : amamos .

Parabéns, embora para mim, aniversários são tristes . Feliz dia triste.



Bruna A.   15/03/2012

11 de mar. de 2012

FRIDA

"Na história da humanidade (e dos animais também) aqueles que aprenderam a colaborar e improvisar foram os que mais prevaleceram."
                               
Darwin

Quando Regina ganhou Frida de uma amiga, esta lhe disse que "Frida" significa "aquela que protege", e de que outra maneira poderia ela cumprir melhor tua missão?

Exatamente como o conto de Saramago, o homem consegue um navio e o nomeia de "ilha desconhecida", com o objetivo de explorar novas ilhas no Novo Mundo, quando a embarcação ganha o mar, ela está partindo em busca de si mesma.
 
Bruna A.   11/03/2012
 

20 de fev. de 2012

Inéditos

Hoje assisti uma série de entrevistas de Drummond no Youtube , ele de repente citou uma coisa que me fez pensar: "os pensamentos que nos ocorrem nos locais errados,na hora errada, sem papel e caneta e que nunca mais voltam" .Egocentrismo a parte, eu julgava a arte de escrever livros mentais apenas peculiar a mim. E então o choque, Drummond, Lispector, Scliar, Kafka e etc, todos possuem obras inéditas perdidas por ai. Será que esses pensamentos podem nos atingir andando por ai? O que achávamos ser uma inspiração é apenas um reflexo antigo de outra pessoa que se aderiu a nós? Por que a gente fica triste/alegre sem motivo ? Ou será os telegramas chamando para o fim ?


É preciso se entregar ao mistério.


Bruna A. (20/02/2012)

2 de jan. de 2012

Noite Zero

Anos atrás em situação igual: falta de luz, vela e esmalte berrante,na ocasião eu lia pela primeira vez "O mundo de Sofia". Lembro-me que naquela época eu esperava mais da vida. O que diferencia é o fato de hoje ser 'de noite', a parte ruim, digamos, minha primeira noite zero, justo no primeiro dia do ano. Amo a noite, odeio o escuro, velas e velas, mas não posso dormir, é como se o simples fato de estar acordada me livrasse das aparições e demônios, logo eu saberia que meus olhos não me protegem de nada...Vinte ano e ainda uma criança tola (Deus sabe meus medos).Noite zero. Noite zero. Noite zero...




01/01/2012  Bruna A.

16 de out. de 2011

Fazer festa é comigo mesmo!!!

Todos os anos pelo menos uma festa tem que ter aqui em casa, a do meu aniversário, mas às vezes tem aniversário dos amigos também,,,
Agora descobrimos o SARAU... Música e poesia, onde todos participam...
Esses dias recebi uns amigos de São Paulo aqui em casa... uma excelente oportunidade de festejar e nada melhor que com um SARAU. Convidei os amigos, a família, preparei a casa e a coisa rolou...
Cada um trouxe um petisco e uma bebidinha, assim não ficou pesado pra ninguém....
Marcamos cedo desta vez, 16h, afinal era Domingo, segunda feira a maioria trabalha... mas não vieram todos , pois tínhamos concorrência: jogo do Vasco e Fla x Flu...
Mesmo assim veio bastante gente e o Sarau ficou bem animado...
Imagine que 2 amigos pediram pra começar e fizeram uma espécie de homenagem com a musica do Roberto Carlos AMIGO, que na voz deles virou “AMIGA” , foi muito gostoso receber esse carinho...
Logo depois tomei coragem e cantamos eu e meu amigo paulista, a Canção da Benção de Vinícius de Moraes. Ate que não fomos tão mal... Teve gente que até elogiou...
Desta vez não faltou violão, nem quem os tocasse... Nem tampouco poesia e quem as declamasse...
Teve historia contada com um tantinho de malicia, sobre a viola... teve muita emoção que embargou as palavras...ao lembrar do passado...
Os convidados distribuíram-se formando grupinhos ou não... mas a participação foi bastante animada. Os quitutes deliciosos...
A cantoria rendeu até tarde, alguns foram mais cedo, minha irmã, por exemplo, veio de Cabo Frio pro Sarau,,, chegou às 15h e às 20 h pegou a estrada de volta...
Alguns vieram do Rio de janeiro, outros de Niterói, alguns daqui mesmo do Rio do Ouro, enfim fiquei muito feliz com mais esse Sarau....
E vou te contar uma coisa:
Musica, foi o que não faltou em minha semana, pois meu amigo acordava com o violão na mão... e sabe como é né? O violão não pode ficar tocando sozinho... e eu como uma boa anfitriã me senti na obrigação de cantar...
Ah! Que obrigação mais maravilhosa... e depois não pensava que conhecia tanta letra de musica...
Pois é meu amigo foi embora.. Hoje o silêncio tomou conta da casa...
Amanhã a vida volta ao normal...
Vou sentir saudades desta semana...
Regina 16/10/2011 – 21:45h

19 de set. de 2011

Pranto para comover James Joyce




Eu também via a maldita vaquinha na infância, e ela também me deixava triste, ainda que a comesse (e isso seria muito difícil) a tristeza não passaria. Talvez pela história na cidade do Rio de Janeiro (tem um povo ai que não morre nem a pau), ou o urso pardo de Pocahontas, ou talvez até mesmo pelo carneiro ferido que há mais de um ano grita em meus ouvidos diariamente. Apesar dos inúmeros avisos do telégrafo noturno, ninguém ainda pensa em suicídio.




Bruna A. 18/06/2011

Encontros e desencontros

"Já basta que a mente humana crie e recrie aquilo em que obscuramente acredita"

(Caim - José Saramargo)

 
Todos sofrem, fato. Hoje estive numa palestra ministrada pela amiga de Regina, algo diferente, me rasgou, uma visão psicológica da vida, independente da doença. Poderia resumir numa espécie de oração: Dalva me ajude a aceitar a vida como ela é, e que coisas ruins acontecem a todos, prometo que não vou me fazer de criança quando envelhecer, não vou mendigar atenção, mas me faça acreditar que o que eu passo é uma forma de aprendizado, seja o que for, desde que não seja uma forma de castigo, não é, não é ... Tenho medo. Em menos de meia hora caí num poço muito profundo, se a maioria dos que tem esperança for tão pessimista e descrente das graças divinas como eu, Deus ta bem ferrado. Eu espero as coisas melhorarem por si, é meu jeito de acreditar que tudo dá certo no final. O lance das canoas de Drummond, bem a minha remou acertadamente para o GAP esta tarde.

 
Bruna A. 16/09/2011

17 de set. de 2011

“Cada vez que uma pessoa morre, uma parte do Universo é destruída”
                                                                              ( Paulo Coelho)

Teve inicio na sexta feira, recebo uma mensagem de uma amiga, esta perdeu o avô, não sei o que responder, com a duvida nada respondo. Ela saberia que consolos vindos de mim não seriam verdadeiros, no mínimo ela espera uma das coisas loucas que costumo dizer, mas não há nada estou vazia.
Assim como ela também estou descendo ao inferno por outros motivos.
Me volta  a memória  quando nos conhecemos, eu não me importava com nada, eu não queria viver, apenas vivia de belas palavras e ela me apresentou as árvores e ria comigo. Eu realmente achei surreal (eu ainda acho!)
Ela queria sempre me ouvir e eu descobri que gostava de falar pelos cotovelos. Aos poucos descobrimos que poderíamos ter um destino diferente, disfarçadas de jovens acima de qualquer suspeita.
Imagino que agora ela esteja na Margem do rio Piedra tentando descobrir o segredo. Rodeado de todos os porquês que acabam sempre em destruição. Mas essa guerra é necessária, a solidão, as palavras vãs...
Tudo serve para dar sentido a nossa jornada e que ela sempre tem fim.
Descanse pois estamos a três quilômetros do acidente, a cerca de vinte anos não nos vemos pessoalmente, mas enquanto houver árvores você sempre estará nas minhas lembranças.
                               
                                                                       Bruna A. 24/07/2011

Palavras que não significam, nada, se ela não as ler...

15 de set. de 2011

Crônica

Minha crônica é o sobre o esquecimento.
Regina esqueceu de postar minha crônica.




Bruna A.

11 de set. de 2011

POESIAS - TEMA QUINTAL

A Monica Souto e a Raquel de Abreu aceitaram nossa proposta e fizeram a suas poesias sobre O QUINTAL
Abaixo vocês podem conferir...
E você  ainda não fez a sua?
Não quer participar também ?
Escreva e envie pro meu email.

Um abraço
Regina

O meu pé de acerola !

Eu tenho no meu quintal
Um belo pé de acerola
Que hoje está pequeno
Mas outrora inspirou muita história
                            
O meu pé de acerola
Cresceu junto comigo
Desde que me entendo por gente
Lá está ele, sorridente

O meu pé de acerola
Por mim era alimentado
Antes de ir para escola
Eu lhe dava  água e barro

O meu pé de acerola
Servia de sombra
Para eu brincar de casinha
Com as minhas amiguinhas

O meu pé de acerola
Começou a ser enfeitado
No Natal e Ano Novo
Foi o maior barato

O meu pé de acerola
Ficou mais bonito
Com muitos pisca-pisca
Que iluminava as noites de verão

O meu pé de acerola
Refrescava meu verão
E ao lado da piscina
Alegrava o coração

O meu pé de acerola
Fazia muitas delicias
Suco, sacolé e a fruta
Diversas primícias

O meu pé de acerola
Uma vez foi podado
Tirando aquela sombra
Que repousava no canto ao lado

O meu pé de acerola
Aos poucos foi crescendo
E no verão seguinte
Acerolas estávamos comendo

O meu pé de acerola
Me trás muitas lembranças
Brincadeiras emoções
Enfim, minha infância

O meu pé de acerola
Outra vez foi podado
Isto me deixou triste
Ele deve estar cansado

O meu pé de acerola
Tem muitos anos de idade
Agora eu espero ele crescer
Outra vez, e podre florescer

Meu pé de  acerola
Me trás muitas emoções
Sempre que me lembro dele
Só me falta compor canções

Eu tenho no meu quintal
Um belo pé de acerola
Que já está crescendo
Pra fazer parte da minha flora

Raquel Souza
08/09/2011

10 de set. de 2011

QUEM ME DERA

Quem me dera encontrar no meu quintal
Um rio que corre com pássaros cantando a sua volta
Saudando com alegria
A manhã de cada dia.

Quem me dera ter no meu quintal
Flores e Frutos o ano inteiro
Recordações de um tempo
Que subíamos em árvores
Sem medo, corajosos, enfrentando a vida,
Pulando dos ingazeiros
Nas bóias de bananeira.

Quem me dera ter no meu quintal
Girassóis coloridos
Saudando o dia que amanhece
Trazendo muita luz,vida e calor.

Quem me dera cultivar no meu quintal
Um pé de açaí,
Para misturar e saborear com aveia.
Proteger minha saúde,
Garantir minha energia
E espantar minha canseira.

Quem me dera ter no meu quintal
Embaixo da copa de um jambeiro,
Numa estufa natural,
Orquídeas florindo o ano inteiro.

Quem me dera ter no meu quintal
Um canteiro de alecrim dourado
Perfumando minha janela
Lembrando afetos queridos
Que o coração nunca esquece.

Não tenho mais no meu quintal
As brincadeiras e as alegrias
Elas são lembranças queridas que aquecem.
Guardo na alma ecos desses momentos,
Doce melodia trazida pelo vento.
A imagem na mente nos une aos afetos queridos.
Antes isso, do que olhar para traz, lamentar e sentir pena!

Monica de Oliveira Souto

31 de ago. de 2011

POESIA EM TRIO...

BOM ACHO QUE É PRECISO EXPLICAR UM COISA:
AS 3 ULTIMAS POSTAGENS FAZEM PARTE DE UMA IDEIA DO PAULO MAC INTYER, UM AMIGO DE SÃO PAULO QUE GOSTA DE ESCREVER TAMBÉM...
ELE ESCREVEU A POESIA QUINTAL E PROPÔS A JULENI ANDRADE, UMA AMIGA DELE, PRA FAZER UMA OUTRA POESIA EM CONTRAPONTO COM A DELE, O QUE FEZ COM PRIMOR.
CONVERSANDO COM O PAULO NO MSN, ELE ME CONVIDOU PRA PARTICIPAR DESSA NOVIDADE .. EU ACEITEI FIZ TAMBÉM UMA POESIA FECHANDO NOSSA "TRILOGIA" (RSRRRS).. OU SERIA "TRIPOESIA"?
ACHEI BEM LEGAL O TRABALHO E RESOLVI MOSTRAR PRA VOCÊS AQUI NO NOSSO BLOG...
ESPERO QUE GOSTEM...
ALIÁS VOCÊ TAMBÉM NÃO QUER PARTICIPAR?
ESCREVA UMA POESIA NO MESMO ESTILO COM O TEMA QUINTAL...
E MANDE PRA MIM...  ESTOU ESPERANDO...
UM BEIJO PRA VOCÊS
 REGINA

QUINTAL

PAULO MAC INTYER 25 AGO 2011

Tivesse eu no meu quintal,
um pequenino pé de rosas,
- que poderiam ser vermelhas,
amarelas, brancas ou rosáceas-,
jamais iria olhar as rosas vizinhas.

Tivesse eu no meu quintal,
uma arvore de mangueira,
- espada, coquinho, manteiga,
rosa, adden ou até bourbon -,
jamais iria provar manga outra.

Tivesse eu no meu quintal
um pequeno pé de laranja,
- que poderia ser lima, pérsia,
pêra, seleta, bahia ou bahiana-,
jamais chuparia laranja do mercado.

Tivesse eu no meu quintal,
uns poucos pés de eucalipto
- altos como se usassem salto,
e com sua melodia advinda do vento,
jamais iria ouvir outra musica.

Tivesse eu no meu quintal
um enorme pé tamarindeiro,
- por mais azedo ki fosse,
mesmo não usando todo dia -,
jamais ousaria comprar tamarindo.

Tivesse eu no meu quintal,
um pequeno coqueiro anão,
- mesmo que sua produção
fosse fraca, pouco por semana,
jamais comeria outro coco
( mesmo ki fosse na praia ).

Tivesse eu no meu quintal
uma enorme jabuticabeira,
- as frutas agarradas na arvore
sempre dando o ano inteiro-,
jamais queria saber de outra.

Tivesse eu no meu quintal
uma garantida trepadeira
- poderia ter ou não espinhos,
mas sempre a dar flores -,
jamais pensaria noutra trepadeira.

Tivesse eu no meu quintal
um arbusto de sândalo,
- que perfuma o machado
que o fere, por inteiro -,
jamais me seduziria poutro cheiro.

Tivesse eu no meu quintal
dois frondosos jequitibás-rosa
- onde colocaria minha rede
de cochilar gostoso a tarde -,
jamais procuraria outro aconchego.



PAULO MAC INTYER 25 AGO 2.011

QUINTAL

(RÉPLICA POR JULENI ANDRADE ) 30 AGOSTO 2011

Se eu tivesse aqui no quintal,
um pequenino pessegueiro,
- enfeitando meu querido terreiro,
florescendo como em terras chinesas-
jamais teria olhos para outras formosuras.

Se eu tivesse aqui no quintal,
um perene amor-agarradinho,
-subindo no muro da frente,
sempre cheio de flores românticas-
jamais teria olhos para outra atmosfera.

Se eu tivesse aqui no quintal,
um pé de pecaminosa pimenta,
- que fizesse arder com gosto
e trouxesse aroma ao jantar-
jamais teria olhos para outro sacrilégio.

Se eu tivesse aqui no quintal,
um glamoroso pé de ipê,
- que florescesse na cor roxa
ou, talvez em intenso amarelo –
jamais teria olhos para outros desejos.

Se eu tivesse aqui no quintal,
um saudável e grande abacateiro,
- que produzisse com todo o viço
os belos frutos para minha mesa-
jamais teria olhos para outra cobiça.

Se eu tivesse aqui no quintal,
um pé de angelim vermelho,
-frondoso e muito bem alentado,
majestoso com se deve ser-
jamais teria olhos para outro jardim.

Se eu tivesse aqui no quintal,
alguns belíssimos girassóis,
- que encantam e são singulares,
mesmo que no extremo plural-
jamais teria olhos para além das cercas.

Se eu tivesse aqui no quintal,
um bom canteiro de hortelãs.
- que trouxesse frescor sem igual,
o cheiro das agradáveis sensações-
jamais teria olhos para terreno alheio.

Se eu tivesse aqui no quintal,
um pé de alfazema bem florido,
- com perfume bem natural,
de deixar a gente feito menino -
jamais teria olhos para outras poções.

Se eu tivesse aqui no quintal,
um limoeiro dos bem graúdos
- daqueles de fazer inveja aos céus,
de onde retirasse a vitamina diária-
jamais teria olhos para outros verdes.

Se eu tivesse aqui no quintal,
uns pés de trevos da sorte
- tenros e cheios de boas novas,
como o anúncio de dádivas-
jamais teria olhos para outros trifólios

QUINTAL

TRÉPLICA POR REGINA M. PEREIRA - 31 AGO 2011

Eu tenho no meu quintal
Uma linda e alta roseira
Dei a ela identidade
Pois quando triste estou
Tenho a felicidade
Dela florir para me consolar...

Eu tenho no meu quintal
Outras roseiras coloridas
Laranjas, grenás e rosadas
Mas essas mesmo amadas
Estão ali para enfeitar...

Eu tenho no meu quintal
Margaridinhas amarelas
Que estão na subida da casa
E quando chega a primavera
Enfeitam o meu caminhar...

Eu tenho no meu quintal
Uma pequena azaléia
Que floriu de tal maneira
Que as flores tomaram conta
E o pé fiquei a procurar...

Eu tenho no meu quintal
Orquídeas roxas, vermelhas
Amarelas, cada qual mais bela
Que suas flores encantam
Quem para elas olhar...

Eu tenho no meu quintal
Papoula, begônia e lírio
Gerânio, dália e beijo
Muita Maria sem vergonha
Que se espalha em todo lugar...

Eu tenho no meu quintal
Lindos pés de ipê
Que trocam todas as folhas
Por flores rosas e amarelas
Para meus olhos encantar...

Eu tenho no meu quintal
Além de flores e plantas
Muitas árvores frutíferas
Outras coisas plantadas
Pra colher e saborear...

Eu tenho no meu quintal
Uma frondosa mangueira
Que dá flores abundantemente
Mas a fruta raramente
Colho sem um inseto tocar...

Eu tenho no meu quintal
Alguns pés de limão galego
Um pé de laranja Bahia
Que dão frutos com fartura
E eu posso compartilhar...

Eu tenho no meu quintal
Um frondoso cajueiro
Que se esgueira pela entrada
Que faz sombra e graça
Para os meus amigos passar...

Eu tenho no meu quintal
Caju, cajá, carambola,
Amora, pitanga e acerola
Fruta azedinha e gostosa
Que adoro no pé apanhar...

Eu tenho no meu quintal
Bananeiras de vários tipos
Prata, d’água e maçã
Tem até banana figo
Que divido contigo se gostar...

Eu tenho no meu quintal
Goiaba branca e vermelha
Tem pinha,abacaxi e manga
E tem uma soqueira de cana
Pra sentar no chão e se esbaldar...

Eu tenho no meu quintal
Além de flores e folhagem
Frutas, guando e aipim
Tenho pássaros de todo tipo
Que habitam esse lugar !!!!


Regina M. Pereira
31/09/2011